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"Sabe o Blog que corpos humanos, templos do Espírito!"
Comum. Com.Br
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Intensas lidas. /
Letras recendem, /
Luzes acendem, /
Eis que desprendem /
Sombras temidas!



Doar Sangue, Um Gesto Simples e Gesto Nobre
Gotas de Vida!

Voto Distrital
Voto Distrital

"Como honrar à altura
o Corpo Humano:
associando-o a Deus
e à Natureza!"

(Jhosa)


Nova Ortografia.
Nós, o Editor do Blog,
nos acentos diferenciais
e em vogais dobradas
+ hifens, recusamos,
não aderimos!


[Contra-Capa]

VOGAIS E CONSOANTES

Infelizes sois vós, consoantes a sós, não fossem as vossas vogais!
(Por: Joseh Pereira – 01/10/2019) – Reeditado

Não, o Post não vai abordar rudimentos de Gramática, silabação e noções de morfologia. Pois, em recente ócio criativo ocorreu-me a imagem do quanto nós somos iguais às letras consoantes, dependemos das vogais para nos tornar sonoros e audíveis, para sermos verbos, verbos de ação. Interessa-nos sermos verbos. Vogal com vogal formam alguma combinação, como “ou”, “eu”, “ai” etc., porém, estão longe da auto-suficiência nos textos ou frases, também elas dependem das consoantes para ganhar o mundo e fazer sucesso. Um alfabetizando a juntar consoantes às vogais e formar palavras é simples, mas nós, movidos por um feliz “insight”, queremos focar uma outra similaridade, ou seja, para os mais diversos eventos da vida real em sociedade, onde as letras vogais ou consoantes do alfabeto da vida somos nós, em busca de agradáveis e eficazes parcerias, sejam em casa, no trabalho ou onde quer que ocorram, as quais, não são somente necessárias, mas inevitáveis. Daí, não negligenciemos, mantendo-nos atentos, cuidando bem da construção de certas combinações, entre as vogais e consoantes, para evitar grupos sem sentido e incompatíveis. Por aproximarmos às letras do alfabeto, entendemos que cada relação vai depender da obediência à Gramática, ou melhor, a uma disciplina pertinente a cada circunstância com que tivermos de defrontar. Assim temos, neste aspecto, a grande semelhança entre nós e as letras do alfabeto, a lição que ela nos traz e a “agradável curiosidade” de uma relação de fatos congêneres, das letras do alfabeto e das pessoas no seu cotidiano. Notem que, para se realizar algo, nós, a exemplo das vogais e consoantes, juntamo-nos e articulamos palavras de funções as mais diversas. Quando SUBSTANTIVOS, nomeamos ou chamamos o que já foi nomeado; com o ARTIGO indicamos gênero e número da parte nomeada; o ADJETIVO estabelece uma qualidade qualquer da parte nomeada; o PRONOME, além de mostrar a pessoa do discurso (a mesma no texto, nunca um “Você [3a. pess.] sabe que eu te [2a. pess.] amo”, ou tudo na terceira ou tudo na segunda pessoa), estando o PRONOME sempre no lugar do nome; o VERBO dá a ideia da ação ou estado do sujeito a ele ligado; o ADVÉRBIO nos mostra o modo como participa do discurso uma parte nomeada; o NUMERAL aparece para expressar quantidades, as frações e inteiros, os múltiplos, a posição ou ordem; a PREPOSIÇÃO liga uma palavra a outra e estabelece relações entre elas; a CONJUNÇÃO vincula orações e estabelece entre elas relações de coordenação ou subordinação; já a INTERJEIÇÃO concentra nela forte emoção ou estados de espírito. Sobre a turma das vogais, a exemplo dos humanos, elas gostam de se unir, formando pares perfeitos, nos chamados Ditongos. Às vezes, mesmo alheias ao romântico triângulo amoroso, elas formam a união de três, são os Tritongos. Outras vezes, são também obrigadas a ficarem separadas, quando acontecem os Hiatos. Também as consoantes fazem como nós, entre si, os seus grupos, os Encontros Consonantais. Exemplos de classes gramaticais, grupos consonantais e vocálicos despertaram seu interesse?! Que tal, então, tirar melhor a ferrugem?!
No Post ora em curso, firme e forte, já caminhando para terminar, inspirado numa analogia com puro sabor de crônica literária, eu quero ser “apenas uma consoante ou uma vogal, ou uma ou outra alternativamente, desde que eu possa contar com outra vogal ou consoante com quem combinar”. Ainda que maus bofes, que não faltam, as chicanas das más línguas ou simples idiossincrasias, tratadas como temperamentos pessoais e particulares, dos quais não consiga me libertar, possam tentar de alguma forma ou vir a prejudicar nossa aproximação, nem por isso devemos desanimar na busca permanente no sentido de melhorar nossas composições, as quais, se ainda não existem podem existir. Como em casos, assim, exemplares e bastante frequentes: O homem e a mulher, em casamento de direito ou de fato; entre pais e filhos, logo depois, quando estes vêm; a relação entre amigos, colegas de trabalho, sócios em empresas ou outros empreendimentos. Isto nas esferas mais triviais do nosso cotidiano, pois, em outras esferas bem mais complexas e delicadas, que abrangem instituições e a sociedade, o estado e cidadãos, não faltam composições e somente se realizam, como sempre, de forma equilibrada e sadia quando as partes envolvidas, quais as vogais e consoantes em seus locais de origem, estiverem também igual e gramaticalmente conscientes e disciplinadas. Por último, queremos desejar sejam abundantes, entre nós, segundo a imagem que fizemos, os melhores encontros, vocálicos e consonantais, formando com isso muitos verbos para atendermos a necessidade de dinamismo do nosso cotidiano. Dito isto, nós já sabemos – e faz tempo – que, como Vogal sozinha, isolada, temos pouca voz e não vamos muito longe, não, sem nos socorrer das consoantes. Quando no papel da Consoante, então, solta e descombinada, sem a companhia de uma Vogal, ficamos em estado de mudez total, sempre inaudível, com nossa frequência sonora a zero, daí, o “com” antes do “soante”, indicando a necessidade da companhia ou associação para darmos nosso recado e, consequentemente, se for o nosso desejo, sermos ouvidos. Interessante observar que há casos de pessoas que, evidentemente, parecem preferir a condição da consoante, não buscando o concurso de uma vogal para torná-las audíveis ou mais audíveis onde vivem, podendo ser por uma frustração sua ou alheia em que se baseiam ou outro motivo menos relevante. Nós imaginamos, para ilustrar a situação, os casos de pessoas que se descasam e não se recasam e outras, em número menor que não se casam de forma alguma nunca, havendo ainda outras que, embora livres do voto obrigatório de castidade, sequer, flertam com alguém em sua vida toda, de modo a formar um par romântico, duradouro ou não. Pois, acreditem, o Editor do Blog conhece alguém assim, gente fina e muito boa, aliás, que nunca namorou. Nós, pensando bem, não devíamos concordar com escolhas assim, porém, respeitosamente, de uma coisa tal pessoa pode se gabar, o de nunca ter sofrido qualquer dificuldade conjugal ou outra bastante trivial com crianças e adolescentes, filhos seus, eis que por toda a sua vida mulher e filhos foram promessas da Natureza que, por uma escolha sua, não se concretizaram. Assim, pois, no decorrer da Crônica, ao mesmo tempo que nos equiparamos às letras numa feliz metáfora, na formação das sílabas projetando-nos nas palavras que levam às diferentes classes gramaticais, nós ainda pudemos com muito gosto recordar de velhos tempos, escolar ou extra-escolar, em que nos dedicávamos com afinco ao aprendizado da Língua Portuguesa, o nosso estimado Vernáculo, a sempre digna Língua Pátria. Na realidade, além da nossa humana semelhança às vogais e consoantes, quem não se sente envolvido ou identificado com cada atributo de uma classe gramatical acima resumido?! Afinal, é difícil avaliar a humanidade das letras?! Por quê?!


PS – Num certo dia, sob refrescante ducha em tarde quente de verão, quando nos parece ocorrer um vácuo, logo preenchido por alguma originalidade, que sobrevém do “ócio criativo” ali vivido, tivemos a graça de sermos contemplados por interessante “insight”, segundo o qual, as letras consoantes e as vogais a formar sílabas e palavras têm muito a dizer e ensinar a nós, humanos, valendo uma analogia inteira entre elas e nós, as pessoas, em nosso cotidiano. Transitamos, pois, enquanto realizávamos nossa metáfora, por noções de fonética, as sílabas, encontros e desencontros, desembocando na identificação de cada uma das classes gramaticais, que muitos de nós já não sabem quantas e quais são, dentro do nosso consagrado glossário da Língua Portuguesa. Sobre tais classes, não temos dúvida da qualidade do resumo com que as identificamos, deixando muito pouco a desejar. Enfim, como ficarmos indiferentes a tamanha similaridade entre as letras e as pessoas, ocasião em que aprendemos uma “gramática” para bem vivermos com mais eficiência?! Que tal aplicarmos a nova “gramática” para melhorar o nosso viver?! Ah, entendi, Você já vem aplicando?!

MBT – Ano XX (2019): Originário de 01/03/2014, um texto em reprise com vida nova!

. Ver em: [ RECEPÇÃO ] – Todos os Títulos Já Publicados.
Apresentação do Blog como produto, no Post: [Turismo Interno] – Sinta-se em casa!

MUITO OBRIGADO

Gratidão, quando compartilhada, faz relaxar os poros da alma!
(Por: Joseh Pereira – 01/09/2019) – Reeditado

Um profundo estado de gratidão, em se tratando de momentos de prece ou simples silêncio meditativo-contemplativo, nós consideramos fundamental, necessário e, por que não dizer, obrigatório. Já no plano dos relacionamentos humano e social, naturalmente, em muitos momentos, até por uma obrigação nossa, teremos de ser (ou são conosco), por vezes, repreensivos ou críticos, como ato de caridade da parte, no qual, quando acontece, devemos nos manter dentro de relativo equilíbrio, tentando não perder as estribeiras, visando a nos proteger de desgastes desnecessários, nossos ou de outrem. Nós defendemos, evidentemente, que a atitude de gratidão favorece a quem deseja receber algo e, já que estamos sempre em Estado de Necessidade, deveríamos permanecer, constantemente, em ESTADO DE GRAÇA, ou seja, com nosso espírito descontraído, ao menos como proposta ideal a ser buscada, obviamente. Aliás, já dizíamos em antigo Diário, o “Fragmentos” (link ao lado, Guia do Blog), nestes termos: – Agradecendo é que se obtém a graça de Deus (o provedor-mor universal). Pois, quem pede, permanece pequeno, negativamente tenso (com muitas sensações do tipo ‘será que…’), obstruindo, assim, os poros da Alma. A gratidão, ao contrário, engrandece, relaxa os tecidos da Alma, seus poros respiram livremente, produzindo, desta forma, um bem-estar que permite, biológica e universalmente, refletir-se onde estivermos na forma da aspiração. No caso em tela, com o Provedor-Mor, tudo bem, nós podemos relaxar sem reserva a nossa Alma, ou seja, a Mente Humana. Em outras situações, vale lembrar que o amor puro e verdadeiro exige frieza, também, para entendermos que nem tudo que brilha se constitui em ouro, para tanto, por prudência, jamais desprezar a cautela ao baixar a guarda ou, em outras palavras, ao eliminar nossas tensões de segurança que estejam ativas no campo mental. Neste ponto, penso ser útil falarmos um pouco mais sobre o Campo Mental, ou seja, o entorno todo em que constantemente influenciamos ou somos influenciados, por onde transitam diferentes frequências mentais, com as quais podemos ou não compartilhar. Pois, cada cérebro humano em atividade, enquanto apto a receber estímulos, no ato de pensar emite pulsações que podem ser dirigidas a alvos específicos ou esparsamente, sendo tais pulsações os chamados fluidos, positivos, negativos ou neutros, que transitam por onde andamos, seja pelo ar ou infiltrados nas coisas. Da nossa parte, independente do “confiar desconfiando” que adotamos, precisamos estar atentos a duas coisas, fechar todas as frestas possíveis da nossa mente ao que não queremos como indesejável visitante e, por outro lado, tornar nossa mente o mais flexível que pudermos a tudo que nos faz crescer ou contribui para o crescimento de outrem com quem de alguma forma nos relacionamos. É difícil relaxar a mente para arejar sua Alma e, ao mesmo tempo, tensionar a mente para impedir o acesso de eventuais inimigos?! Você já refletiu, na maior crueza da realidade, quão grande e inestimável se mostra o poder do pensamento?! Que pensar significa, rigorosamente, emitir luz ou trevas?!
Na sequência do texto, queremos ainda relatar duas ocasiões em que a gratidão foi muito intensa e natural. Faz alguns anos, eu tinha umas crises sérias, com calafrio, tremor e febre, que vinham e que iam, tendo me levado, enfim, à internação para pesquisas. Eram cálculos na vesícula, foi extraído um e deixado outro, cuja cirurgia eu iria programar com meu Cirurgião, mas todos fomos apanhados de surpresa ao pôr do Sol de um domingo de janeiro. Uma dor forte na altura do ventre causou a vinda de filho e nora, que moram perto, eu me acordando e me vendo, lúcido, no dia seguinte no leito de um hospital, com meu filho ao lado a me acompanhar, que me respondeu estar minha nora ainda no carro, onde havia dormido. Senti, ali, o amor mais verdadeiro do mundo, na expressão, atitude e práticas do casal, como no das demais pessoas envolvidas por diferentes laços, expressando seus votos, sua preocupação e sua solidariedade. Agradeço a tanta gente, médicos, enfermeiros, todo mundo, pelos seus gestos espontâneos de manifestação, todos igualmente dignos e humanos, precisos e certeiros. Na minha alta hospitalar, tudo certo, já sem os cálculos a incomodar e sem também a vesícula, removida. Outra vez, mas agora de forma planejada, após longa preparação médica e hospitalar, homem perto dos oitenta, em ousada atitude de quem cultiva em sua volta um salutar realismo positivo, vai a uma cirurgia vascular bilateral de grande porte dos membros inferiores, vasos a estender-se das costas dos pés e pernas até parte das coxas, tudo realizado na tarde de um dia movimentado, como todos os outros, muito especial. Da mesa de operação a uma sala de recuperação monitorada por dedicados atendentes, depois, já “mais perto de casa”, como eu dizia, fui levado para o quarto, onde aguardaria a alta. | E foi muito bom ser um quarto com dois, não em apartamento. Um rapaz com pneumonia aguardando transferência, sempre ativo e prestativo a me ver, ali, imobilizado. Após um delicioso jantar como o de um hotel, ele foi ao banheiro escovar os dentes, mas empenhado na minha segurança, entre uma fala e outra com sua mulher e amigos no celular, fez questão de chamar a assistente para me acompanhar ao banheiro, gesto sem o qual, desconfio, eu teria morrido. Deitado, meus pés devido à anestesia não respondiam comando algum, tendo de ser arrastados pernas e pés para o chão. Quando me pus em pé ao lado da assistente, a vista começou a turvar, a parede parecia fugir das minhas mãos e a cama fugia mesmo de mim. Assistente e colega de quarto me socorreram, pondo-me de volta deitado. Aí, sem poder me respirar como estivesse afogado, resmunguei algo como “não estou bem, chamem um médico”. Lá pelas tantas, contagem regressiva há tempo desligada, médicos disseram que, para se pôr em pé um pós-operado, somente quando o corpo todo voltar a responder, cuidado que, aliás, não fora observado. Eu estivesse, ao descer do leito, somente com um doente de pneumonia que, após me ver no chão desmaiado chamaria apoio (meu Deus), sem oxigênio o cérebro falece em segundos. Eu fui salvo por outro doente, sim, um desconhecido, de quem não me ausentei sem antes cadastrá-lo no WhatsApp, daí em diante, um digno amigo e, por sua imensa atitude, conhecido! Que maravilha, quando somos humanos! Quem, não estando já em Estado de Graça, faria algo assim, gratuitamente?! | Quantas vezes, cobrando, podemos ultrapassar a marca do oneroso em nome da Gratuidade?! Qual, a seu ver, o valor sublime da Gratidão a pulsar, constante, por toda a parte?! Ou, por algum motivo, seu radar anda meio avariado?!


PS – Declarar-se nada ter para agradecer, um grande equívoco, pois, sempre se vive na condição de devedor, no sentido espiritual ou filosófico da palavra, mesmo que superavitária a conta moral. Sabemos ter a gratidão um imenso valor e não custa nada, ao exercê-la afirmamos que alguém foi superior a nós, além de revivermos um espírito fraterno latente. Devemos agradecer por bênçãos ainda desconhecidas a caminho, pelas rosas entre tantos espinhos, ao orar, contemplemos o fim feliz já alegrando-nos com ele, gratidão é fruto de cultivo aprimorado, onde não entra gente rude ou grosseira. A cada dia que se finda, maiores os motivos para sorrir do que para chorar, agradecer é reconhecer méritos venham de onde quer que sejam. Nós temos os pés para caminhar, quando muitos não os possuem, um lar, seja como for, onde existe o amor não a solidão. E, não havendo quem nos escute, pode acontecer, seja então pela vida que sentirmos ou pela crença que nos faz resistir! Assim sendo, quem no seu cotidiano estará isento da obrigação de agradecer, sempre, com uma palavra ou um gesto?! Por que recusar um bem recíproco que a atitude proporciona?! É muito difícil entender?!

MBT – Ano XX (2019): Originário de 02/02/2014, um texto em reprise com vida nova!

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MUROS DESCENTES

Poucos muros se justificam, a realidade clama por mais pontes!
(Por: Joseh Pereira – 01/08/2019) – Reeditado

Há entre nós muitos muros, sentido metafórico ou não, que se erguem, alguns até merecem existir e outros que, quando caem são motivos de festas. Um, ninguém esquece! Foi em 1989, no Leste Europeu, na então dividida Berlim, que um muro indecente da nossa História começou a ruir e vir abaixo, tornando, aí sim, um muro descente (com “s”) ou em queda livre, até nada mais restar da velha e vergonhosa estrutura. Felizmente, um evento histórico muito comemorado, como na foto ao lado, que retrata o Monumento da Reunificação (click na imagem) erguido numa praça da Alemanha restaurada, além da reprodução de réplicas suas e demais símbolos convertidos em souvenir  e cartões postais para turistas do mundo inteiro. O Muro de Berlim representa em cheio a ideia de que o comunismo, onde quer que se instale, constrói “paraísos” que são Verdadeiros Infernos, donde não tentam fugir apenas os membros da classe dominante e os que, de geração em geração, já perderam a noção de perspectivas, sendo incapazes de reconhecer qualquer horizonte. Já não existem como pessoas, são meros autômatos, anônimos que nada buscam, tudo se lhes fecha dentro de um imenso vácuo, sem referências, simples tele-guiados em que foram obrigados a se reduzir. Que prazer de viver sente alguém neste labirinto, onde todas as saídas são tolhidas, até mesmo físicas em busca de um raio de Sol, representando a esperança?! Porém, aquele não era o único muro construído para separar homens dos homens, há outros. A nossa intenção neste Post, aliás, é trazer à luz muros que nem de concreto são e muito mal nos impõem. No entanto, antes de voltarmos aos muros não materiais, precisamos nos deter um pouco mais nos muros de tijolos e concreto. Histórias de muros em nossa vida, uns removidos outros ainda mantidos, não nos enganemos, existem. Como em um Condomínio pequeno de uma torre, cuja construtora permitiu a abertura de uma viela pela área comum do Prédio em construção, erguendo entre a hoje falecida viela e o Prédio um malcriado “muro divisório”, não informando adequadamente pelos meios que dispunham que ali não era o fim do terreno do Condomínio, por longo tempo assim considerado, trazendo consequências. Desejamos, no entanto, para encerrar o tópico, falar de um muro material, muito famoso, infelizmente, por maus motivos. Incrível, chegou a ser construído por uns e demolido por outros várias vezes. Ao final, segundo registros históricos, a tropa inimiga fez questão de deixar uma parte intacta do muro para que não esquecessem nunca mais a derrota sofrida. Ficou conhecido como o “Muro das Lamentações”, cultuado até hoje pelo Judaísmo na cidade de Jerusalém, uma construção considerada sagrada, ou melhor, restos construtivos de profundo simbolismo. E quem de nós, a exemplo do judeu, sobrevive sem um muro de lamentações a buscar alívio e energia?! Entre nós, não obstante muitos muros que separam, conhecemos e cultuamos com devoção, também, pontes que ligam?!
No texto em curso, alguns dos muitos muros para nos proteger ou para que outros se protejam de nós. Muros e pontes que erguemos, ou para barrar passagens, ou para facilitá-las. Havendo, ainda, para surpresa de muitos, um outro tipo de muro, cuja função não é separar nem proteger, mas receber. Há pouco, no tópico anterior, nós falávamos do “Muro das Lamentações”, obra sagrada dos judeus. E, por que não, todos adotamos em certos momentos nossos “muros de estimação”, que podem ser um ombro amigo ou coisas que o valham, que mereçam a confiança e não nos questionem, onde escolhemos para chorar nossas mágoas. Um dia, não vou dizer quando nem as exatas circunstâncias (coisas, aliás, não raras), vi-me numa situação-limite, tendo de procurar o meu “muro das lamentações” para desabafar. Desta vez, o ombro amigo está representado por um pequeno poema de versos livres e espontâneos, por vários motivos, muito representativo: – Das lágrimas derramadas, lamentos dourados. / Muro, úmido de lágrimas, por que choro?! Por quê?… / Muro, onde me prostro e deito-te tantas lágrimas / Será que ao menos tu, que a ninguém te curva, irás me entender? / Eis que, a cada coisa que desarruma, suas disfunções agridem-me / E mesmo que eu não olhe não posso deixar de ver / E mesmo que eu não queira não posso deixar de ter… / Eis que, a cada sujeira que aparece, em meus espaços obrigatórios / E eu não posso e ninguém pode correr e remover / E mesmo que eu não queira não posso deixar de ver… / Eis que, a cada coisa que cheira mal e faz nosso ar inapropriado / E eu não posso e ninguém pode o odor ou veneno retirar / E mesmo que eu não queira este ar não posso deixar de respirar… / E, porque inserido nisso tudo, inevitável e fatalmente / Como parte integrante, integro-o e me incorporo, não posso ignorar / Mais o nosso ego, auto-estima pessoal, nosso salutar amor próprio / É comprimido, reduzido, quando não suprimido, anulando-nos / Consequentemente, tornando-nos impróprio ao próprio consumo / E em menores, maiores ou iguais dimensões, com nossos circunstantes / Podendo repercutir e multiplicar, aqui e ali, os danos e estragos / Caso não se lhe ponha fim e o torne administrável. / E lá vamos nós, todos, no mesmo barco a fazer água, claudicante / Atores, autores, sujeitos e cúmplices, agentes, pacientes / Indiferentes, até o fim dos tempos, eles, você, eu?!… Para nós, acreditem, um lápis e papel, muitas vezes, foram os melhores ombros amigos! Quantas vezes em distante bairro nascente da periferia, com dezenas de angústias específicas de um dinâmico e eclético agente social, outrora solteiro, o hoje Editor do Blog via-se em situações muito críticas, severas, em que lhe parecia sumir o chão dos próprios pés, aí, sem saber exatamente a quem recorrer, iniciava-se o produtivo diálogo de uma caneta com as folhas de papel isentas até das pautas, desatando o nosso expressar. A regra, então, não corrigir nem elaborar, enquanto o texto se derrama abundante, fluindo como lenitivo à alma ferida e, logo, a caneta pára (com o acento diferencial), não reage, sinalizando estar se fechando o diagrama de um problema que incomodava tanto por nos parecer descomunal e, agora, ali mesmo, por nós já contornado. Dos textos passados a limpo, muitos iam mesmo para a gaveta, deixando pelo caminho novos aprendizados e o esperado reequilíbrio de muita situação conflitante, com ao menos um norte a indicar uma saída. Afinal, quantas vezes nós ficamos desesperados pelo tamanho irreal e enganoso de um problema que, submetido a análise, resiste muito pouco tempo?! Já buscou alguma vez a experiência literária para solucionar conflitos da sua vida pública ou particular?! O que Você busca, enfim, para aliviar tensões?!


PS – Além de desejarmos a construção de pontes, onde a realidade não recomenda a edificação de muros, a Crônica quer focalizar as várias formas de muros, como sabem, existindo os que separam, os que protegem e, também, os que recebem para acalmar corações. Tudo como acima foi tratado. Mas, eis que chega para completar a matéria, outro tipo de muro, dos “covardes, medrosos ou indecisos”. No caso, temos a lamentar. Pois, não são poucos os frequentadores dos muros que, por meio de falsa redoma, isolam (sob a penumbra do silêncio) os que morrem de medo de tomar partido, decidir, influir. Quiséramos, nós, na atividade política de quaisquer esferas, das menores e menos influentes que todos participam, às maiores esferas de poder, não houvesse um só lugar, minúsculo que fosse, para medrosos e covardes, tampouco para imprudentes e insensatos, estando, para incômodo nosso, muito longe fatos assim, auspiciosos! Porém, diante de tal cenário, vamos considerar nossa história um caso perdido e ficarmos parados?! Entre bons e maus, sabiam que o silêncio dos primeiros, em geral, prejudica mais que as ações dos segundos, que não são poucas?! E, afinal, diabos dormem, por acaso?!

MBT – Ano XX (2019): Originário de 09/11/2013, um texto em reprise com vida nova!

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