Guia do Blog

> Recepção (Mapa)
> Histórico (Sobre Nós)
> Fragmentos
> Sinopse do Conto
> Temas (em Versos)
> OFICINA MENTAL
> Variedades
> Da Redação
> VITRINA (Janela do Leitor)

"Sabe o Blog que corpos humanos, templos do Espírito!"
Comum. Com.Br
Leitores Qualificados:
Ano 20 - MdM: 4.0







Intensas lidas. /
Letras recendem, /
Luzes acendem, /
Eis que desprendem /
Sombras temidas!



Doar Sangue, Um Gesto Simples e Gesto Nobre
Gotas de Vida!

Voto Distrital
Voto Distrital

"Como honrar à altura
o Corpo Humano:
associando-o a Deus
e à Natureza!"

(Jhosa)

[Contra-Capa]

FAMÍLIA HUMANA

Cresçamos e multipliquemos, porém, essencialmente falando!
(Por: Joseh Pereira – 01/05/2019) – Reeditado

É sério, mas também diverte, pensar que ao nascermos temos a sensação de estarmos desarticulados, percebendo-nos de repente, sem nos dar conta do imenso laço ou rede genealógica relevante que percorremos até ganharmos uma identidade própria e singular, inconfundível, tornando-nos os indivíduos que somos, a buscar e defender territórios. Assim, como disse João, o evangelista, que “o Verbo se fez carne”, embora estivesse falando de Jesus Cristo, sempre implícito no Pai enquanto Verbo (palavra dada, intenção, promessa), nós podemos considerar o raciocínio válido a todos nós que pré-existimos por muito tempo ao nosso nascimento, quando então nos dão à luz, tornando-nos visíveis, prontos para participar da experiência de viver. Somos, lá atrás, os corpos, as cabeças, os sonhos, os planos e desejos de muita gente, até que tudo isso se concentra e canaliza em um Homem e uma Mulher, que serão, por escolha da natureza não apenas material, os nossos genitores, os nossos pais, com quem formamos, física e espiritualmente, uma Família com novo desenho, por todo o sempre, digna do zelo nosso e de terceiros, o mais que pudermos. Importante, também, não esquecermos um detalhe, seja qual for nosso papel na cadeia familiar, ninguém prescinde do atributo da filiação, este “pertencimento” a um Pai, ou seja, “a ausência da figura paterna como manto protetor constitui sempre e em todas as situações numa carência urgente a ser suprida”, daí, talvez, a permanente busca consciente e inconsciente de um Pai Espiritual, neste caso, Deus, onde seria altamente recomendável toda família se encerrar, fechar seu circuito, no vértice da estrutura, o norte dos nortes. Pois, somos todos, em última análise, filhos, já aqui e por todo o sempre, tanto sob uma óptica religiosa quanto científica ou matemática. E, por falar em Matemática, queremos ainda nos referir ao “crescer e multiplicar”, expressão bíblica milenar, cujos valores são qualitativos, não quantitativos, sobressaindo a qualidade em detrimento da quantidade, como podem perceber, uma verdade bastante elementar. Como dissemos, todos somos filhos, hoje e sempre, aconteça conosco o que acontecer, casados ou não e uma fertilidade de coelhos tal o tamanho da descendência, nada nos tirará a condição de filhos, uma situação suficiente para não nos assoberbarmos como se independentes fôssemos. Óbvio que devemos alargar territórios e ganhar autonomias, “plantar árvores, ter filhos, escrever livros”, como diz certo provérbio, exercendo de um modo ou de outro a nossa paternidade, garantindo assim à posteridade um legado que nos justifique, sendo imensamente sagrada a missão a ser desempenhada em nome da Família a que temos a felicidade de pertencer. Aliás, a melhor coisa que a civilização humana concebeu foi a instituição familiar, famílias, células vivas a dar organicidade a qualquer sociedade no mundo! Como seria uma sociedade sem a participação das famílias?! Por acaso, alguém pensa em outro núcleo social superior, que possa substituir a família?! Ou, simplesmente, querem extingui-la?! Quem, conscientemente, não defenderia a própria família?! E, por consequência, todas as famílias, sem exceção?!
Na sequência, muita coisa sobre o tema haveríamos de abordar, mas devemos nos limitar a determinados focos mais pertinentes, como as drogas sem um controle maior, a sexualidade precoce com gravidez mais precoce ainda de crianças e, como resumo da ópera, a antiga campanha da “paternidade responsável por uma família administrada”. A droga, no Brasil e no mundo, todos sabemos ser a grande chaga social, há tempos tratada de forma imprópria pelas nossas autoridades da segurança e educadores, muito tímidos e ineficazes para não parecerem violentos aos olhos da “patrulha ideológica”, nos demais setores, sempre atenta a condenar as ações necessárias não vitimistas entre governos e a sociedade. Machuca muito a notícia de “meninas em tenra idade sendo sexualmente industriadas pelos próprios pais, para angariarem dinheiro com que seus genitores pagam e sustentam os seus vícios malditos”. Olhem o tamanho da destruição da família! Aliás, nem entre animais selvagens se conhece tanta selvageria e indiferença junto aos seus, onde, no caso do humano, deveria entrar a razão para “calcular, planejar e administrar”. O Homem não é um animal qualquer, daí, ao conceber e gerar um filho, impõe-se nítida obrigação ao casal em entender que se está fundando e lançando no mundo um novo projeto de vida, cuja autonomia demora para ser conquistada, cabendo-lhe o mister de formar uma personalidade, com proteção, juízo e equilíbrio, já descartada a superproteção. Quanto à família ideal, salvo melhor juízo, o melhor modelo de família ainda é e sempre será o do mundo cristão, inspirado na Sagrada Família. Ouso dizer que o mundo em geral somente se tornou e se mantém relativamente habitável, graças à existência da família como unidade básica da sociedade, onde se constroem os princípios e se forma o caráter. Felizes os filhos de berços assim, canteiros de promissoras sementes a germinar, crescer e produzir frutos. Uma grave decorrência da falta do planejamento familiar é a questão da explosão demográfica, aparentemente incontrolável. Das causas do fenômeno que concorrem desde 1960 no Brasil, três são relevantes segundo analistas sociais. Os militares, a pretexto de defender a soberania nacional em país de dimensões continentais, optaram por aumentar os nativos brasileiros para ocupar imensos espaços desocupados em regiões despovoadas; os comunistas e seus simpatizantes, ao defenderem que o aumento populacional acelerado aprofundaria as contradições do capitalismo e encurtaria o caminho para a ditadura do proletariado; por último, a Igreja Católica, por considerar antinatural ou contra a vontade de Deus o emprego de métodos contraceptivos convencionais. Aí, como resultado de uma combinação desastrosa, nós éramos 90 milhões em 1970 e, agora, já ultrapassamos os 210 milhões de habitantes, com parte expressiva amontoada em favelas e periferias das cidades a clamar por moradias, saúde e segurança, nunca o bastante. Um problema da falta de planejamento familiar a transformar-se em questão social de difícil solução. Enfim, é preciso ter estômago, olhos, ouvidos e espírito preparados para aguentar cenas deprimentes de seres na conta de humanos, mas que honestamente expondo não deveriam ter nascidos, sequer, concebidos no ventre materno! Quem, ao olhar e ver tanta miséria material e moral, misérias antes preveníveis, pode discordar de uma posição a favor do “aborto” de crianças, adultos e idosos – antes da sua concepção, bem entendido – , com juízo e responsabilidade?! Por acaso, há casas em estado real ou potencial para todos, em locais dignos à natureza humana?! Como não ser a favor do “aborto”, nas condições a que nós propugnamos?! Qual o mal em tentar abortar falhas humanas, protegendo a gravidez?! Não devem, a seu ver, andar juntos o prazer sexual e a consciência responsável?! Por que não?!


PS – Por ser Maio, saboroso mês em curso, dedicado às noivas voando para formar colônia própria com função de rainha, a sua família em que, provavelmente, serão mães, carnais, adotivas etc., pedimos licença para mostrarmos quanta saudade de pais e avós, antecedentes próximos, almas e corpos a transportar o verbo, num longo e feliz processo, gradual e progressivo de materialização. Penso no jeito singelo e único de ZORAIDE (mãe), LAUREANO (pai), MANUEL e HIPÓLITO (pais dos pais). Eu fiz questão de reproduzir os nomes para reviver situações vividas. Família é isso mesmo, uma “árvore de raízes profundas com muitos galhos a estender-se por todas as direções”. Por isso, ao finalizar a Crônica da Família, um convite para cantarmos o poema do religioso José Fernandes de Oliveira, intitulado [ORAÇÃO PELA FAMÍLIA]. Mas volte, para terminarmos a conversa. Ouviu e cantou, o que achou da letra e dos versos, da mensagem construtiva?! Não dá vontade de voltar ao [poema] e declamá-lo por inteiro, ao som de um violão, afinado e melodioso?! Falar da família, como acontece conosco, estimula sua sensibilidade?! Ou com Você não muda a temperatura?! É mesmo?!

MBT – Ano XX (2019): Originário de 01/09/2013, um texto em reprise com vida nova!

. Ver em: [ RECEPÇÃO ] – Todos os Títulos Já Publicados.
Apresentação do Blog como produto, no Post: [Turismo Interno] – Sinta-se em casa!

MUNDO AMBÍGUO

Muitas das ambiguidades são decifráveis, outras podem resistir!
(Por: Joseh Pereira – 01/04/2019) – Reeditado

Em épocas como as atuais, com muita corrupção ou “quebras da ordem”, quando regras que regem as palavras sofrem agressões de toda espécie, reforçadas pelo duplipensar da escola ideológica (influências de “1984″, autor George Orwell e “Cadernos do Cárcere”, originais de Antônio Gramsci), pelo qual o sentido da palavra, já sem sua natural autoridade, passa a ajustar-se à conveniência momentânea, tão mutável quanto a paisagem na janela de um viajante, assim, fica fácil encontrarmos pelo caminho as dubiedades, bem como as ambiguidades (muitas com intenções de ludibriar) na fala, na escrita e na linguagem em geral, verbal ou não verbal, como na foto ao lado, ilustrativa (um desafio geométrico, complexo, enigmático ou desenho irrealizável). Vamos, na presente Crônica, abordar algumas das nossas ambiguidades mais comuns dos meios cotidianos e da linguagem, que podem nos envolver na condição de agentes ou pacientes, quer dizer, podemos sofrê-las ou contribuir com elas. Notem, no entanto, que a própria palavra “ambiguidade”, sem o trema como sinal auxiliar, torna ambígua a sua pronúncia, pois, não sabemos se a vogal “u” é sonora ou muda, confundindo-nos. Está aí um outro “favor” da Reforma Ortográfica às avessas, já em vigor, fortemente criticada por nós no Blog, em fevereiro último, confiram. A ambiguidade quando proposital, como figura de estilo, merece respeito por cumprir um objetivo na comunicação, como acontecem na poesia ou na literatura em geral, para enriquecer seu significado que deixa de ser objetivo, na propaganda, para intensificar certos apelos que são próprios do mercado e no humor, para construir as populares ou clássicas pegadinhas que causam risos. Nestes campos e, dentro de regras linguísticas que regem os estilos, não será considerado vício o uso da ambiguidade, se bem intencionada e isenta do intuito de constranger ou ofender. Do lado do leitor, entretanto, muito cuidado com quem faz do seu posto de trabalho a tribuna na defesa e expansão dos seus ideais, bandeiras e causas, pouco importando com os meios usados desde que atinjam os fins pretendidos. São os que, cujos fins sempre justificam os meios, sendo perigosos por trabalharem dentro do campo da inteligência e da sensibilidade humana e social, conhecendo bem quando devem ser mais sutis ou mais ostensivos. São “especialistas do golpe”, no campo cultural, com quem mentes desarmadas não devem brincar! Indagando-nos, perguntaríamos. Mas, não é próprio do mundo, desde sempre, por toda parte, haver enganados e enganadores?! Afinal, todos os enganos, engendrados contra nós ou por imperfeições e despreparo nossos, quando temporários, são ruins?! De quantas quedas destas, muitas vezes, nós precisamos para construir um verdadeiro adulto para a “vida que deve viver”, decididamente, o maior e mais espetacular desafio do ser humano?! Podemos pensar melhor nestas coisas, muito sérias, aqui mesmo, um pouco mais?!
Nós, na sequência, considerando as ambiguidades próprias dos estilos de linguagem defendidos e explicados pela Gramática, achamos pertinente ao menos tangenciar a hipérbole, a ironia, o eufemismo, o neologismo, o sofisma (termos que podem trazer confusão), mais o “bom-mocismo” do politicamente correto, revestido da sua falsa porcelana a tentar ocultar as fisgas caçadoras que, por falta de filtro apropriado, muitos não percebem. Nós já falamos muito sobre isto em outros Posts, como devem lembrar. Normalmente, há várias figuras de estilo que dão brilho aos textos. Quando, para poder expressar uma realidade, eu tenho de exagerar na linguagem, farei uso de Hipérboles (“quase morrer de estudar”, “chorar rios de lágrimas”, “comprar toneladas de rosas”); se quero ridicularizar sem deixar de ser elegante, utilizo Ironias (“sua hipocrisia é encantadora”, “quadrado, no mundo redondo”, “não quer mais prosa, faz em versos”); para suavizar uma coisa desagradável ou doer menos, uso Eufemismos (“faltou com a verdade” = mentir, “morar no céu” = morrer, “pessoa forte” = gorda). Temos ainda os termos formados por derivação, abreviação ou substituição, com fins comunicativo, valorativo ou depreciativo, os Neologismos, utilizados na linguagem em geral, vale a pena pesquisar. Por último, tomem cuidado com os Sofismas (“Dizem que eu sou ninguém; Ninguém é perfeito; Logo, eu sou perfeito” ou “Deus é amor; O amor é cego – admitindo-se; Stevie Wonder é cego; Então, Stevie Wonder é Deus”), em construções argumentativas que parecem perfeitas, imitando os válidos Silogismos (“Todo homem é mortal; Pedro é homem; Portanto, Pedro é mortal” ou “Se Marcos passeia, não lê; Ora, Marcos passeia; Logo, Marcos não lê”), quando os tais (Sofismas) conseguem seu objetivo, alcançam sucesso, abafam sem resolver a eventual contradição. Aliás, muitos de nós já vimos frases assim, dúbias ou ambíguas, vamos comentá-las: 1. “Crianças que recebem leite materno frequentemente são mais sadias” (qual das duas ocorrências é frequente); 2. “Rapaz pegou o estojo vazio da aliança de diamantes, que estava sobre a cama” (qual dos dois objetos estava sobre a cama); 3. “Velha senhora encontrou o garoto em seu quarto” (de quem era o quarto); 4. “Muita chuva para São Paulo” (você pensou vir o fim da seca e da poluição, mas foi um violento temporal que alagou a cidade); 5. “Papa Francisco aceita o homossexual” (longe disto, ele disse: “Se a pessoa é gay e, com boa vontade, procura a Deus, quem sou eu para julgá-la?”); 6. “Em protestos contra Governador polícia prende manifestantes” (uma subversão total dos fatos, eram mascarados destruidores de patrimônios). Agora, para finalizar, na Biologia também ocorrem ambiguidades, estas sem culpa ou participação humana, que a Genética e outros processos intermediários respondem. Saibam que, consoante a uma lei absolutamente natural, o espermatozoide transmite um cromossomo X ou um Y ao óvulo, onde encontrará sempre um cromossomo X. Ali se define o sexo genético do embrião humano, X+X (feminino) ou Y+X (masculino), sem meio termo polêmico. Da fase seguinte até o nascimento, surgem os caracteres sexuais peculiares, sendo normais no macho os mamilos parecidos aos das fêmeas e, nestas, os clitóris em suas vaginas, às vezes, tão desenvolvidos que lembram um pênis. São sinais exteriores, ambíguos sim, porém, não tornam o homem uma mulher ou a mulher um homem, sendo ideal que sigam como tais, segundo suas convicções e conveniências. Mas, que pena, neste ponto da abordagem, vamos ter de encerrar, deixando aspectos importantes a tratar! Entretanto, podemos prosseguir em outra Crônica. Que tal, aprovado?! Nós, afinal, fomos claros até aqui, ambíguos ou obscuros?!


PS – Como todos observam, o tema de hoje faz sentido. Pois, enquanto sentirmos uma dúvida nosso alerta estará aceso, não se instalou a convicção, a partir da qual passamos a agir em algo construtivo, indiferente ou demolidor. Quem duvida não escolheu o caminho. A retórica, como arte de persuadir, convencer, obviamente, atua em busca do convencimento ou da eliminação da dúvida. Perante a tais recursos, manter-se bem atento para avaliar intenções e finalidades das mensagens, qual a qualidade e confiabilidade da novidade a transmitir, nada devendo ser subestimado. E, no tocante aos costumes, quem não tomou conhecimento de incômodos comportamentos ambíguos, como o das moças que viram rapazes e vice-versa, alegam terem nascido em corpos errados, impossível; casal homo-afetivo, se casal de mesmo sexo inexiste no reino animal e, finalizando, meninos-meninas, escolares na Inglaterra, obrigados por ideólogos de gênero a vestir saias como uniformes, sendo fotografados?! Quanta ambiguidade frontalmente contra invioláveis leis naturais?! Se nós não podemos eliminar o mal, por que não, ao menos dificultá-lo?! Vamos sair a campo?!

MBT – Ano XX (2019): Originário de 03/08/2013, um texto em reprise com vida nova!

. Ver em: [ RECEPÇÃO ] – Todos os Títulos Já Publicados.
Apresentação do Blog como produto, no Post: [Turismo Interno] – Sinta-se em casa!

ESTADO DE VELHICE

Quando um fruto amadurece, a casca piora, melhora o conteúdo.
(Por: Joseh Pereira – 01/03/2019) – Reeditado

Quem não cuida do conteúdo envelhece. Eu (função avançada, versão 7.8), posso até parecer velho, mas devo ser, preciso ser jovem. Estar é circunstancial, faz parte da existência, fenômeno dependente do tempo (com começo, meio e fim) e do espaço (onde a matéria se manifesta), um e o outro são identificáveis e medidos, possuem sua vida útil mais ou menos determinada, ou seja, são finitos. Reiterando o conceito no sentido inverso, o tempo e espaço são ambientes indispensáveis à existência, ultrapassável somente por algo bem mais profundo que, na qualidade de absoluto, não ocupa lugar algum em específico nem sofre influências do tempo, ao menos como as conhecemos. Daí, portanto, nós podermos ficar velhos e sermos, ao mesmo tempo, essencialmente jovens. A propósito, entre o “ser” e “estar”, preferimos aquele que suplantando a existência, valoriza e dá suporte ao período temporal da vida terrena. E, por falar em idades contra a ociosidade, sejamos também, quando possível, espirituosos e relaxantes. Assim, junto a um velho amigo com elegante bengala, começamos dizendo que o idoso tem em público uma certa liberdade antes inconcebível, como ir para a praia de cuecão, sem ser incomodado por ninguém, quando muito, algum olhar meio piedoso e nada mais. Aí, tiramos do baú outras piadas de valor, como aquela da garota que, ao ser elogiada por um idoso, disse-lhe: “Gostou, então, pegue a senha, que a fila é longa”. Ao que o cidadão diz: “Mas não esqueça, eu tenho senha preferencial, estou em vantagem”. Outra de dar dó é o da mulher de 86 anos, viúva há 30, em sua varanda a sós numa tarde agradável de verão, aparece um rapaz galanteador e mal intencionado, que faz despertar a libido da anciã em longo exercício de estimulação e, na hora “H”, quando a mulher pede que ele a possua, o rapaz exclama: – “É primeiro de abril, mulher!”. E morreu com um tiro na cabeça, mais tarde, ela respondeu ao Juiz ter o rapaz começado por acariciar suas coxas, depois, os seios, até deixá-la ardendo em chamas. Outra velha senhora divertia-se a valer e matava de raiva os otários que pensavam ser ela mais otária que eles. Um dia, carregando uma sacola com dólares a aplicar, apostou 25 mil com o principal executivo de um grande banco que seus testículos eram quadrados. Na hora da grande revelação, o executivo à frente dela com calça e cueca bem arriadas, a velha senhora com um leve sorriso começou a conferir os testículos do executivo à frente do advogado, sua suposta testemunha, que começou a bater a cabeça na parede e esbravejar. Ele era um outro apostador que acabava de perder 100 mil dólares por ter duvidado que ela estaria ali, naquela hora, conferindo os testículos daquele executivo. Meu amigo e eu ainda tínhamos bala na agulha, mas consideramos estar de bom tamanho, rimos bastante, desopilando o fígado. E fica nas entrelinhas a mensagem para que não se subestimem a inteligência e a capacidade dos mais velhos, mesmo sob rugas decoradas com fios de cabelos, barbas e pelos na cor da prata, caso não depilemos o corpo todo, sem deixar prata sobre prata, quase um ouro, a crescer! A seu ver, como é estar velho, mas sem envelhecer?!
Nós, a seguir, achamos por bem abrir parêntesis para um difícil “espinho”, que o Editor do Blog está a carregar, embora, tudo indique, não tenha qualquer relação com a sua idade. É que, há mais de 25 anos, seu ouvido direito “apagou” total, restando-lhe a orelha a preencher um visual externo para efeito estético. Perder assim, de forma repentina, a metade da capacidade auditiva, pouco depois de um violento acidente de trânsito, que pode ter sido a causa de um traumatismo irreversível da cóclea (conversor de sinais ao pé do cérebro), já não parece pouco a uma pessoa e não é mesmo. Porém, para piorar o quadro, como o sistema auditivo não depende somente dos tubos auriculares, mas de todo o lado da caixa craniana em que se encontra o ouvido danificado, com a perda da percepção sonora, o paciente passa a sentir aí de forma ininterrupta um intenso e torturante zumbido na forma de sirene ou cigarra, tornando desesperador e assustador caso se lhe preste atenção, daí, a necessidade da procura permanente de ocupação que chame mais a atenção que aquele insistente zumbido. O ruído constante de cigarra, apesar de irritar demais, como dissemos, não se deve prestar-lhe atenção, sob pena de vê-lo crescer infinitamente, a ponto de poder enlouquecer o paciente. Busca-se preventivamente algo superior para suplantar o sintoma. Recolher-se para uma meditação ou silêncio criativo é severamente difícil. Todavia, o tempo como mestre universal nos concede a sabedoria para podermos viver, mesmo assim, tentando disfarçar a surdez e, às vezes, cumprindo compromissos formais, com aparências de normalidade. Conversas inter-pessoais, na forma de reuniões, isto não tem jeito, estará sempre com um prejuízo superior a 50% em sua eficácia, merecendo sérias ressalvas. Enfim, sobretudo e, principalmente, “em nome de uma amizade, seja ela definida ou indefinida, cuja utilidade e prazer devem ser preservados”, o Editor faz questão de deixar bem claro, como de fato o faz, aqui, onde deixa publicamente registrada uma circunstância restritiva a ser sempre considerada. Isto posto, fecham os parêntesis. Agora, para encerrarmos em definitivo o Post, dedicado a tanta gente madura, que queremos ainda ativa e produtiva, não descartando ninguém biologicamente jovem, que será o idoso de amanhã, vamos a alguns pensamentos que, a todos, alertam e encorajam: – “A juventude não sabe o que pode nem a velhice pode o que sabe” (cf. José Saramago); “Todo mundo quer chegar à velhice, mas ninguém quer ser velho” (Martin Held); “Quando a velhice chegar, devemos aceitá-la, ela é abundante em prazeres se a abraçarmos” (cf. Sêneca); “A razão prevalece na velhice porque as paixões envelhecem” (Marquês de Maricá); “Aqueles que se amam profundamente, jamais envelhecem, podem morrer de velhice, mas morrem jovens” (Martinho Lutero); para finalizar (In “Fragmentos”, Guia do Blog, ao lado): – “Na maturidade o homem deseja (marca natural, da criança); percebe (marca intelectual, do jovem) e tolera, isto é, sabe dar tempo, esperar, tem condições para a auto-renúncia (marca moral, do adulto)”. Usando como gancho a última propositura, sem desprezarmos as demais, como não termos a certeza de que somente na maturidade nós podemos conquistar a plenitude humana em seu mais elevado grau, ao final de um longo e, muitas vezes, penoso processo de aprendizagem, experiências e habilidades?! Mas, nós insistimos. Mesmo que nos pareça paradoxal termos de pendurar as chuteiras exatamente quando, via de regra, estamos melhor preparados para estarmos em campo, por que, neste caso, não nos compararmos a um vinho originário de boa cepa que, segundo uma consagrada tradição, quanto mais tempo de armazenamento, maior sua aceitação pela refinada qualidade?! Julgando por este ângulo, numa adega ou à mesa, qual vinho Você pediria, o de sabor e consistência mais elaborados ao longo do tempo?! Ou lhe basta qualquer vinho, ainda que muito jovem, com lábios cheirando a leite?!


PS – Muitos são os “velhos jovens”, que nos deixam felizes quando vemos e, por outro lado, tantos “jovens velhos”, uma grande aberração da natureza. Ou melhor, a natureza em si nada tem a ver com isso. Os jovens são precocemente envelhecidos por seus maus hábitos de se queixar e de reclamar de tudo e até de si mesmos, a ponto de acreditarem no que dizem de ruim como sendo real e verdadeiro. Quando, então, vamos ter de reconhecer que o problema agravou, significativamente, tornando difícil a solução. Aqui, apresentamos uma Crônica, cujo tema a ninguém exclui, abrange ambas as gerações. Nela buscamos construir, material e espiritualmente, uma ligação ou vínculo entre concomitantes gerações ainda em convívio, quando não simples coexistência, a compartilhar o tempo e espaço. Aliás, quando nos referimos ao jovem e ao idoso do momento, estamos conscientes da existência de tantos jovens sem horizontes e muitos idosos abandonados, sem o reconhecimento de quem quer que seja, assuntos que, neste momento, escapam ao nosso foco ou escopo. Qual, afinal, a sua condição, na juventude que ainda desfruta ou na velhice, física e natural, que fez o favor de chegar?! Sabiam que, além de alimentarmos o corpo, temos de cuidar da Alma, para que continue sendo a nossa maior fonte de energias?! Já avaliou quão importante a sua Alma, essencialmente, o motor da vida?!

MBT – Ano XX (2019): Originário de 07/07/2013, um texto em reprise com vida nova!

. Ver em: [ RECEPÇÃO ] – Todos os Títulos Já Publicados.
Apresentação do Blog como produto, no Post: [Turismo Interno] – Sinta-se em casa!